sexta-feira, 8 de outubro de 2010

LIVRO EM QUE GILBERTO GIL ANALISA SUAS CANÇÕES: TODAS AS LETRAS

TEXTO INDICADO PELO PROF. ANDRÉ PARA LEITURA: O MEU PORTUGUÊS RUIM

Caetano Veloso - O meu português ruim    'O GLOBO" 04/10/2010


É inacreditável que Barbara Heliodora tenha escrito que um autor teatral não pode usar o tratamento na segunda pessoa. E muito significativo que ela tenha lançado esse anátema como condição para que uma peça se considere brasileira. É a mesma mentalidade que leva um tradutor de Proust a evitar a palavra “raparigas” e tradutores de textos complexos a correrem da tmese como o diabo da cruz. Até parece que estilos nascidos desse tipo de pânico primam pela clareza e pela elegância.



Mas não. Leem-se textos onde o único mérito parece ser o do esforço para evitar mesóclises e segundas pessoas. Erros variados e escorregadelas para a pedanteria não são sequer notados por muitos dos que se contorcem nesses dribles. Outro dia, por causa de meus protestos contra o medo da mesóclise, recebi alguns e-mails corrigindo minha suposição de que talvez algo do problema se devesse às campanhas dos sociolinguistas. Dei razão aos que me corrigiram. Mas a verdade é que esse à vontade com que Barbara Heliodora proíbe o uso do tratamento em segunda pessoa não pode deixar de se dever, em parte, a tal campanha. É difícil que simplesmente coincida com ela.

Quando eu mantinha um blog para acompanhar a feitura do projeto “Zii e Zie”, disco e show, escrevi, em tom ainda mais apressado e irresponsável do que o faço aqui, sobre as perguntas que me fiz ao ler um bom livro sobre tendências do português brasileiro.



Como a descrição da frequência do uso do “você” levava a autora a expor os pronomes pessoais sujeitos como sendo “eu, você, ele, ela, nós, vocês, eles, elas”, em vez de “eu, tu, eles, nós, vós, eles”, fiquei com a impressão de que se sugeria que passássemos a ensinar nas escolas esses pronomes mais usuais — e as variações verbais que os acompanham — e abandonássemos o “tu” e o “vós”, que não usamos na conversa.



Descrevi o mal-estar que isso me provocava e enumerei as várias formas conversacionais em que a segunda pessoa do singular é usada comumente.



Do “tás me estranhando” carioca ao “viste” (ou “visse”) pernambucano; do “tu é mesmo mané”, também do Rio, ao “tu fala demais” dos gaúchos. Lembrei que em Belém do Pará se flexiona o verbo para a segunda pessoa com considerável frequência.

E mencionei o fato de que as crianças entendem perfeitamente bem o que quer dizer um samba-canção ou um rock-balada em que o cantor se dirige à amada na segunda pessoa. Isso sem falar nos textos eruditos.



Por causa da reação de alguns comentaristas do blog, fui ler os sociolinguistas militantes — esses que odeiam os professores que ensinam regras de português em jornais ou na TV. Percebi que há uma confusão entre observar como a língua muda e querer desfazer toda a normatividade já consagrada. A explicação era sempre que a norma culta é uma espécie de ideologia da classe dominante que oprime os desassistidos.

Nunca passava pela cabeça desses heróis que essa norma tinha se desenvolvido pelo mesmo processo para o qual eles querem chamar a atenção no presente. O povo é o inventa-línguas. A contribuição milionária de todos os erros. Sim. Mas desde sempre. Por que desqualificar a contribuição de milhões de falantes do português que, através dos séculos, nos trouxeram até onde a língua se encontra agora? Então a ideia é que só valerão as regras que se criarem a partir do surgimento de uma sociedade justa e sem classes? Quando é mesmo que vai ser isso? É simplesmente ruim desistir de adestrar nosso povo para o entendimento da nossa língua em todos os seus registros. O português lusitano e o africano, o do sertanejo iletrado e o do doutor em sociologia, o do poeta renascentista e o do teatrólogo moderno, o do cientista e o do sacerdote.



Eu próprio não me sinto seguro ao escrever. Cometo erros de ortografia. (Numa resposta a Xexéo — cujo nome já está quase passando o de Liv Sovik em frequência aqui nesta coluna — na época do réveillon em que, no “JB”, eles criaram uma maluquice envolvendo Paulinho da Viola, escrevi “analizar” — ou algo equivalente.

Sem memória visual de como era a palavra, segui ( s e m p e n s a r ) uma regra abstrata (isso acontece menos em inglês ou em francês, mas não vou explicar agora por quê). Xexéo, mais uma vez, zombou de mim. Bem feito. E muitas vezes me vejo enrolado na construção de uma frase.



Mas amava meu professor de português do Ginásio Teodoro Sampaio, Nestor Oliveira (poeta de olhos azuis e voz bonita) e Dona Candolina (preta gorda competentíssima e energética), do Severino Vieira. E gosto de literatura e de que o acaso tenha feito com que falemos português.



Em Londres, quando chegou o disco de Roberto Carlos que tinha “Detalhes”, ouvi a canção com respeito e frieza.



Mas quando veio o verso “E até os erros do meu português ruim” eu caí no pranto.



Alguém dirá que tenho chorado demais aqui — e sempre por causa de música.

Mas é assim. Não quero entrar no mérito da crítica de Barbara Heliodora aos arranjos que Jaques Morelenbaum e Jaime Alem fizeram para as música de Tom: não vi o “Orfeu” no Canecão (estou em São Paulo), de modo que não sei se a shakespeariana crítica sentou-se perto de algum alto-falante rachado.



Nem quero pensar nisso para não chorar de novo.



Mas o “tu” dos versos e das canções não pode ser anatemizado por um preconceito mais idiota e opressivo do que o que pareceu ser o meu quando disse, numa entrevista até bem razoável, que Lula é analfabeto.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Café com letras: relançamento do livro Pedro Pedra , de Gustavo Bernardo


mesa: Gustavo Bernardo, Roger Mello, Denise Brasil, Ricardo Benevides e MariaTeresa Gonçalves


data e horário: dia 20 de maio (quinta-feira)

18 horas

LOCAL: Salão II (lounge da COARTE, junto ao Teatro Noel Rosa)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ano Novo, novo semestre, nova disciplina com a Prof. Maria Teresa: ESTILÍSTICA

09/03:
Apresentação e bibliografia

16/03: Aytel
a) O fato estilístico p.13 / 21
b) As transferências de sentido ou tropos p. 64/65
O estilo e suas técnicas, Edições 70
a) O pirata Jacob Cow ( serão as palavras signos?) P. 83/91
Alice no país da Linguagem, Marina Yaguello, Editorial Stampa




23/03: Raul
a) Cap. 4: problemas e sínteses p. 203/225
b) Cap. 5: Conclusão p. 227/231
Estilística, poética e semiótica literária, Alícia Yllera, Almedina





30/03: Simone Vasconcelos
a) A criança e o estilo p. 22/69
O infantil na literatura: uma questão de estilo, Ana Maria Clark Peres, Miguilin



06/04: Simone Lopes
a) O problema central do estilo p. 83/104
O problema do estilo, J. Middleton, Murry, Acadêmica



13/04:
a) Problemas p. 133/160
A estilística. Pierre Guiraud, Mestre Jou



20/04: Irna
a) A metáfora p. 29/49
Esse ofício do verso, Jorge Luiz Borges, Cia. Das Letras



27/04: Leila
a) a cultura como jogo intertextual p. 12/19
c) A intertextualidade na produção literária p. 20/46
d) Intertextualidade na recepção p. 54/58
Intertextualidade: teoria e prática, Graça Paulino e outras, Lê.





04/05: Terezinha
a) A função poética p. 161/181
Estrutura da Linguagem Poética, Jean Cohen, Cultrix




11/05: Lourdes
a) Um enfoque do estudo do estilo p. 75/93
Linguística e estilo; Nils, Erick,Enkvist e outros, Cultrix



18/05: Rosi
a) A frase e suas modalidades p. 121/139
b) Generalidades ( pertinentes sobre sintaxe) p. 141/144
Ensaio de estilística de língua portuguesa, Gladstone C. de Melo, Padrão.




25/05: Carmem
a) A reforma estilística de Eça: a sua novidade e a sua necessidade p. 61/65
b) O adjetivo p. 137/183
Língua e estilo de Eça de Queiroz, Ernesto Guerra da Cal, Almedina



01/06: Eliane
a) O estilo na lingüística p. 249/274
Discurso, estilo e subjetividade, Sírio Possenti, Martins Fontes.



08/06: Rita
a) Palavras invariáveis p. 254/284
Estilística da Língua portuguesa, Manuel Rodrigues Lapa, Coimbra editora.




15/06:
a) Ellection Y expressividad em El estilo p. 158/182
Linguage y estilo, Stephen Ullmman, Aguilar


22/06: Bruno
a) Alguns Problemas do significado 144/160
b) As virtudes ( e vícios do estilo) p. 161/172
A estilística, José Lemos Monteiro, Ática.



29/06
O prazer do texto, Roland Barthes, edições 70.
Breve manual de estilo e romance, Autran Dourado, UFMG


Resenha 04/05 : Contribuição a estilística Portuguesa, Matoso Câmara Junior, Ao livro técnico.



Livro básico: Introdução a Estilística, Nilse Santana Martins

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

VÍDEO ENCERRAMENTO AULAS SOBRE LEITURA EM DEZEMBRO DE 2009

video


Uma amostra de nossa lembrança para a mestra Maria Teresa. O arquivo completo está no PEN DRIVE que entregarei ainda este mês.
 
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